LGPD na prática: conformidade para pequenas e médias empresas
05 nov 2024 · 8 min · AHB-KB-06
Conformidade com a LGPD não é um documento assinado uma vez. É um conjunto de rotinas que precisa caber no tamanho e no orçamento da empresa.
Comece pelo inventário, não pela política
Muitas empresas publicam uma política de privacidade copiada antes de saber quais dados tratam. O caminho correto é o inverso: primeiro o mapeamento, depois os documentos que descrevem a realidade.
O inventário responde a perguntas objetivas: quais dados pessoais entram na empresa, por quais canais, para qual finalidade, com qual base legal, onde ficam armazenados, quem acessa, com quem são compartilhados e por quanto tempo permanecem.
Base legal correta para cada finalidade
Consentimento não é a base padrão — é uma das dez, e uma das mais frágeis, porque pode ser revogada a qualquer momento.
- Execução de contrato: dados de clientes e fornecedores necessários à prestação do serviço.
- Obrigação legal: folha de pagamento, obrigações fiscais e trabalhistas.
- Legítimo interesse: segurança da informação, prevenção a fraude e comunicação com clientes ativos, sempre com teste de balanceamento documentado.
- Consentimento: marketing para quem não é cliente, cookies não essenciais e uso de imagem.
Rotinas mínimas para uma PME
Um programa proporcional ao porte da empresa cabe em poucas práticas bem executadas.
- Registro das operações de tratamento (ROPA) revisado ao menos uma vez por ano.
- Canal de atendimento ao titular divulgado e com prazos controlados.
- Cláusulas de proteção de dados nos contratos com fornecedores que acessam informações.
- Controle de acesso por perfil, MFA e política de senhas.
- Descarte seguro de documentos físicos e digitais ao fim do prazo de retenção.
- Plano de resposta a incidentes com critério de comunicação à ANPD e aos titulares.
- Treinamento anual das equipes que lidam com dados pessoais.
O custo de não fazer
As sanções previstas na lei vão de advertência a multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração, além de bloqueio ou eliminação dos dados envolvidos.
Na prática, porém, o impacto que chega primeiro costuma ser comercial: cada vez mais contratos exigem evidências de conformidade, questionários de segurança e a indicação formal de um encarregado. Sem isso, a empresa perde negócios antes de qualquer fiscalização.
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